12.3.09

Frost/Nixon

É incrível a capacidade de Ron Howard em transformar tudo em melodrama barato. É o toque de gênio. Em Frost/Nixon: o filme começa espertinho, a câmera por trás das câmeras e as “entrevistas” com os personagens, já como que preparando o terreno para toda uma mini-reflexãozinha que vai vir depois, no final, sobre a TV, a imagem da TV. Mas não tem jeito, não existe outra forma de fazer um filme. As duas forças devem se encontrar, duelar. É preciso passar pela lição, passar pela moral. Do contrário, que dramaturgia?

Vem o telefonema.

Frost, aquele em que ninguém acreditava, que ninguém levava a sério, dará a volta por cima. Ele tem seu mestre, aquele que lhe fará ver as coisas da maneira correta pela primeira vez - a passagem de conhecimento, e o sacrifício do mestre. Mas logo entra com tudo também a moral da superação, do trabalho duro, da vitória daquele a quem o mundo parecia ter destinado a derrota.

É um filme engraçadíssimo, no final das contas. E um bom filme, mesmo. Nem preciso dizer que, no meio do lodo do Oscar, junto com Milk, é o único digno de salvação.

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