É um ponto de ônibus. Ele chega confuso, meio sem norte, talvez embriagado. Camisa pólo preta surrada, calça, sapatos. Aparência cansada, corpo já curvado sobre a barriga que pesa - são já uns 40 anos nas costas, afinal. Carrega na mão uns papéis grampeados, como todos os mortos-vivos do centro com suas folhinhas enfiadas dentro de envelopes amassados. Talvez tenha sido assaltado, mas o caso parece mais de alguém porcamente remediado - um subemprego.
O primeiro ônibus chega. Ele chama, vai até a porta, conversa algo com o motorista. O carro segue adiante, ele fica. Mas o sinal logo à frente faz com que o ônibus pare, preso no trânsito. A essa altura, o homem, que já conversava com outro ônibus lá atrás, retorna ao primeiro. O golpe é violento, uma solada na lateral do veículo. O cobrador se debruça para fora, meio bolado, meio rindo. No ponto, todos se assustam. O homem dá tchauzinho.
O tempo passa, chega o próximo ônibus. Mais um pedido, mais um pedido negado. A idéia agora é a portinholazinha na lateral, que serve para abastecer o ônibus. Ele abre-a com uma porrada, forçando-a, o veículo já em movimento. A cena se repete ainda mais uma vez, até que um ônibus o acolhe pela porta traseira.
Minha linha finalmente chega, pago 4,70. Um belo otário, isso é que sou. Só o vandalismo salva, meu herói do meio dia.
26.6.09
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1 comentários:
maneiraço, cálac.
pedro.
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