17.11.09

Maridos e Esposas em VHS

A cópia chegou, mas tinha um problema no som. No lugar, exibiram uma fita VHS projetada.

Mas apesar da tentação em sair da sala, acabei ficando, pela comodidade – já estava na sala, não sabia se poderia voltar à mostra, e nunca me interessei tanto por Woody Allen, de forma que a possibilidade de alugar ou baixar (e portanto assistir) o filme nos próximos 10 ou 20 anos seria exatamente nula.

Então fiquei e vi.

Belíssimo filme, claro, já haviam me prevenido. Se em vários filmes o ponto principal de Allen é sempre dar densidade a estereótipos triviais (a dobradinha Manhattan/Annie Hall me parece bem isso), ele talvez nunca tenha alcançado tamanha sensação de completude como aqui. O filme é um exercício amargurado, mas também empenhado, no sentido de constituir aquelas relações.

A imagem suja do vídeo deixava tudo ainda mais doloroso. Aqueles movimentos de câmera (planos-sequências?), que já são horríveis, conseguiam ficar ainda mais feios na cópia exibida. A imagem e a mise en scène tornam a vida ainda mais dura e difícil. Os depoimentos ficavam então como um bom respiro (muito mais bem aproveitados que em Annie Hall, por exemplo).

O filme todo deve ter só umas duas piadas. Uma delas é quando a personagem-aluna critica o livro do personagem de Allen (livro que na verdade é o próprio filme, ou todos os filmes de Allen). Close-up longo só dela. Poderia ser só uma bobeira engraçada, mas é também uma coisa que vem tá ali, faz parte, faz sentido e repercute na narrativa.

Não sei o que vai acontecer quando revê-lo numa cópia limpinha, provavelmente vai cair, mas por enquanto tá no topo dos meus preferidos de Allen.

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