18.7.10

Arraste-me para o inferno

Revendo trechos de Arraste-me para o inferno na televisão. É com certeza um dos melhores filmes do ano passado – hoje provavelmente entraria bem no miolo da minha lista (e nem lembro mais os filmes que ocupavam esse lugar, então foda-se). Muito engraçado, e um daqueles filmes em que o diretor parece se divertir a cada plano. Óbvio que na maior parte das vezes é preciso pelo menos uma dúzia de longas na carreira pra parecer que se está divertindo enquanto se faz um filme – ou seja, para fazer um filme que parece feito por alguém recém-saído da faculdade, só que um bom filme. Depois do pesadelo mercadológico que provavelmente foram os Homem-Aranha para ele, Sam Raimi faz um filme decupado em gags – e porra, estamos numa época em que um filme de-cu-pa-do já merece toda louvação; um engraçado como esse então merece análise plano a plano.


The Evil Dead, visto hoje já tem uma boa cara de parque de diversões – no estilo mortos que levantam da tumba num pulo, demônios-zumbis possuídos guardados no porão, hiper-maquiagem e coisas feitas com massinha (que sem movem!, em stop-motion, se não me engano). Arraste-me para o inferno é basicamente a mesma coisa, mas o cara se diverte também (e principalmente) com truques de decupagem, que dão ao filme um ritmo ágil e sublinham a comicidade da coisa. Tem alguma coisa nele de kitsch também, que está obviamente na cena de abertura (que parece saída de uma HQ), mas que fica no filme como um todo, no trato que ele faz da mitologia e pelos próprios personagens (o namorado, o guru e a própria personagens são todos geniais), e que ajuda a reforçar o lado cômico.


Me parece que existe também um lado de comédia física no filme. É o mundo que se levanta contra a personagem. As coisas caem em cima dela: na cena do velório, o corpo da velha, com aquele volume de água que vai direto para a boca da personagem; no final, a cruz do túmulo, que vai direto na cabeça dela, fazendo com que ela quase se afogue. Um filme B? Não. Além da câmera e dos efeitos especiais, Sam Raimi ainda quis se divertir um pouco junto com a direção de arte.


Então, não é um filme B, é um filme-respiro, um filme diferente - pra Raimi e pro cinema de gêneo em geral. Não dá nem pra dizer muito que é um filme de horror, porque ele tem um gracejo pop que é típico de um filme que sabe que está sendo feito nos anos 2000. Ao horror mesmo só resta seguir a sua ladeira abaixo, agora respirando só com a ajuda de remakes e zumbis.

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